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Caro Vanilson, de fato este é outro trecho bíblico bem discutido. A razão desta discussão deve-se ao contexto cultural em que vivemos. Mas uma coisa não podemos fazer que é suprimir os princípios bíblicos pelos aspectos culturais, pois o primeiro está acima do segundo. Vamos observar que este é um texto em que se requer a aplicação de princípios hermenêuticos, pois nossa vivência cultural é distinta daquela quando o mesmo foi escrito.
Intérpretes têm apresentado os seguintes entendimentos:
1. O texto traz uma clara proibição do uso das vestimentas características pelo sexo oposto.
2. O texto traz uma proibição para uma prática religiosa associada a troca das vestimentas pelo sexo oposto. Segundo alguns estudiosos, havia a crença de que a troca de roupas entre os sexos tinha como objetivo a cura de infertilidade.
3. O texto traz uma proibição para o transformismo que era uma prática homossexual, assim como hoje.
4. O texto traz um orientação quanto ao proceder que deve "preservar a pureza de coração e de conduta" pessoal, "assim como a do próximo".
Qual interpretação é aquela que o escritor tinha em mente?
Séculos nos separam de Moisés, assim com as práticas culturais, contudo o princípio supracultural permanece. A dúvida existe em função do tipo de vestimenta usada pelos homens naquela época, apesar de serem basicamente iguais havia uma distinção, visto que o texto afirma ser possível identificar o sexo pela vestimenta. Assim também, no cotidiano, somos capazes de identificar pela roupa o sexo. Algumas delas são criadas exclusivamente para acentuar a sensualidade tanto masculina quanto feminina. Também é possível identificar o sexo de uma pessoa mesmo que ela use roupas consideradas "unissex".
Vamos então aplicar um outro princípio hermenêutico. Quando um texto não se torna claro no seu entendimento devemos recorrer a outros mais claros para estabelecer a intenção do autor. Em 1ª Tm 2:9, Paulo fala que o traje da mulher seja "decente", o que me faz ver nesta passagem o princípio supracultural.
As leis aqui retratadas por Moisés estão relacionadas com as relações humanas, em especial, nesta seção, com os assuntos aplicados à vida comunitária, apesar de tratar de temas acerca do cuidado com os animais. O foco principal é sobre a conduta apropriada. Tal conceito é reforçado pelo ensino de Paulo (acima).
Portanto entendo que o princípio supracultural seja este: o israelita deveria ter em sua conduta pessoal e com o próximo um procedimento que refletisse a sua pureza de coração, inclusive no seu trajar. Culturalmente aquele aspecto peculiar do traje característico da mulher não deveria ser usado por ele, pois estaria tendo uma conduta inadequada diante do Senhor. Este aspecto peculiar seria a vestimenta externa (cf. Is 47:2). Apesar de no livro de Deuteronômio não encontrarmos o mandamento sucinto de Levítico 19:18, encontramo-lo implícito aqui.
Os trajes, assim como os costumes diferem não só na cultura do povo como também pela época. Os portugueses ao chegarem no Brasil encontraram um povo totalmente diferente deles, que por sua vez eram diferentes daqueles que habitavam na América do Norte e que são diferentes de nós hoje. Os trajes mudam devido a cultura e o tempo, mas o princípio bíblico da conduta do trajar decente não. Um exemplo prático. No século XVIII era indecoroso a mulher andar com os braços "desnudos", portanto o "decente" era
cobri-los. Hoje este aspecto não faz parte da nossa
cultura, mas os padrões de decência permanecem. Sei
que o irmão tem uma posição quanto ao tema, mas não
escrevo para discordar ou concordar com ela, mas
apresento de forma honesta o que entendo e respeito
aqueles que interpretam de forma diferente.
Respondido por
Éder Lúcio
fonte:
www.irmaos.com
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